01/03/2025 às 21:54 Além do clique

O Messias da Vila

6
4min de leitura

Há jogadores que marcam época. E há aqueles que marcam a eternidade. Giovanni, o Messias, foi mais do que um camisa 10 do Santos. Foi arte em movimento, pincelando poesia sobre a relva, desenhando com os pés os traços de um futebol mágico e imortal.

Se o futebol fosse um quadro, Giovanni seria o pintor e a bola, seu pincel. Cada passe milimétrico, cada drible desconcertante, cada gol decisivo pareciam esculpidos com o mesmo cuidado de uma obra-prima. Mas se há uma tela que jamais será apagada da memória do torcedor santista, é a de 10 de dezembro de 1995.

Naquela tarde histórica, no Pacaembu, o Santos ressurgia. O Fluminense havia vencido o primeiro jogo da semifinal por 4 a 1, e os pessimistas já haviam selado o destino. Mas eles esqueceram de um detalhe: Giovanni vestia branco. E quando o Messias vestia branco, os milagres aconteciam.

Primeiro, o toque refinado para Camanducaia abrir o placar. Depois, a pintura: um giro sublime na entrada da área e um chute rasteiro, certeiro, inapelável. Gol. O terceiro foi pura astúcia, escorando a bola como um escultor que dá vida ao mármore. O quarto veio de um passe seu, e de repente o impossível estava ali, diante dos olhos incrédulos do mundo. O Santos vencia por 5 a 2 e voltava a ser Santos. Giovanni já não era apenas um craque. Tornava-se lenda.

E como esquecer aquele gol antológico contra o Fluminense na fase de grupos? O bailado, a categoria, o chute seco e preciso. Ou os dribles endiabrados nos clássicos, humilhando os rivais? Contra o Palmeiras, contra o São Paulo... cada jogo era um espetáculo, uma nova tela esculpida nos gramados.

Hoje, revemos sua imagem e sentimos o tempo suspenso. A fotografia eterniza o olhar sereno, a expressão de quem carregava o peso e a glória de ser um dos maiores camisas 10 do Santos. A cada registro, a luz desenha sua silhueta como se o passado soprasse histórias no presente. Porque arte, beleza e futebol nunca envelhecem. Assim como Giovanni nunca deixará de ser o Messias da Vila.

A Carreira de Giovanni

Giovanni iniciou sua trajetória no futebol no pequeno clube do Tocantinópolis, mas foi no Remo que começou a chamar a atenção pelo talento diferenciado. Com dribles refinados e visão de jogo apurada, rapidamente despertou o interesse do Santos, onde desembarcou em 1994. Foi na Vila Belmiro que viveu seu auge e tornou-se ídolo eterno, liderando o time na memorável campanha do Campeonato Brasileiro de 1995. Naquele ano, foi o artilheiro da equipe e eleito o melhor jogador da competição, sendo a peça-chave que levou o Peixe à final contra o Botafogo.

O sucesso com a camisa santista o levou à Europa, onde brilhou pelo Barcelona entre 1996 e 1999. Na Espanha, conquistou títulos importantes como a Supercopa da UEFA e a Copa do Rei, jogando ao lado de craques como Rivaldo e Figo. Após sua passagem pelo futebol europeu, atuou também pelo Olympiacos, da Grécia, onde se tornou um dos maiores ídolos da história do clube. Vestindo a camisa vermelha e branca, acumulou múltiplos títulos nacionais e encantou os torcedores gregos com sua técnica refinada e gols decisivos.

Pela Seleção Brasileira, Giovanni vestiu a Amarelinha em diversas ocasiões, incluindo a Copa do Mundo de 1998, onde fez parte do elenco comandado por Zagallo que chegou à final contra a França. Mesmo sem protagonismo absoluto na equipe, sua qualidade técnica e inteligência tática eram reconhecidas entre companheiros e torcedores.

Retorno ao Santos e a Parceria com Neymar

Após sua jornada internacional, Giovanni retornou ao Santos em 2005 para uma segunda passagem, ajudando a equipe na conquista do Campeonato Paulista daquele ano. No entanto, sua história com o clube não terminaria ali. Em 2010, já veterano, fez uma terceira e derradeira passagem pelo Peixe, dessa vez atuando ao lado de uma nova geração de craques. No elenco santista, jogou ao lado de Robinho, Paulo Henrique Ganso e do jovem Neymar, que despontava como grande promessa do futebol brasileiro. Mesmo com idade avançada, Giovanni participou do início daquele time que encantaria o Brasil e conquistaria a Copa do Brasil de 2010.

Foi no Santos que Giovanni encerrou sua carreira, reafirmando sua ligação eterna com o Alvinegro Praiano. Seu retorno foi uma despedida à altura de um ídolo, mostrando que, apesar do tempo, sua genialidade dentro de campo jamais se apagou.

Gols Marcantes

Ao longo da carreira, Giovanni protagonizou momentos inesquecíveis, mas alguns gols ficaram gravados na memória dos torcedores:

O hat-trick contra o Fluminense na semifinal do Brasileiro de 1995, conduzindo o Santos à final depois de um resultado improvável.

O golaço contra o Palmeiras, onde driblou a defesa adversária antes de finalizar com maestria.

O gol decisivo pelo Olympiacos em um clássico contra o Panathinaikos, garantindo o título grego.

O tento contra o Atlético Mineiro, no seu retorno ao Santos, que mostrou que a genialidade continuava intacta.

Giovanni foi mais do que um camisa 10. Foi o Messias da Vila, o maestro que regeu a orquestra santista com toques de pura magia. Seu legado não se resume a títulos ou estatísticas, mas a memórias que jamais se apagarão da história do futebol brasileiro.

Fotos AQUI DC Agência


01 Mar 2025

O Messias da Vila

Comentar
Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
Copiar URL

Tags

Camisa 10 Conteúdo visual Craque DC Fotografia Eternizando Legado Fotografia para atleta Futebol Arte Giovanni Ídolo Eterno Retrato Santos FC

Quem viu também curtiu

18 de Abr de 2024

Endrick, craque dentro e fora de campo

17 de Mar de 2025

Fotografia que impacta: Meu trabalho na 19ª Mostra de Fotojornalismo da ARFOC-SP

29 de Dez de 2024

Um ano em uma foto: A imagem que resume a temporada do Santos FC

Logo do Whatsapp